II Jornadas da Misericórdia

Um ano depois da realização das I Jornadas da Misericórdia, a Santa Casa de Penalva do Castelo voltou a organizar o evento, tendo como pano de fundo o Hotel de Charme Casa da Ínsua.

Por Técnicas da Santa Casa

II Jornadas da Santa Casa da Misericórdia de Penalva do Castelo
“Saúde e Bem Estar nas Instituições Sociais: Metas e Desafios”

Um ano depois da realização das I Jornadas da Misericórdia, que alcançaram um considerável êxito, a Santa Casa de Penalva do Castelo voltou a organizar o evento, tendo como pano de fundo o Hotel de Charme Casa da Ínsua.

A sessão iniciou com o discurso do Provedor da Santa Casa, Michael Batista, que referiu como um dos objetivos principais da Santa Casa da Misericórdia o bem-estar permanente dos seus utentes, salientando também que “o Estado deve apostar fortemente nas Misericórdias e IPSS’s, pois elas apoiam as famílias mais desfavorecidas, dão respostas sociais fundamentais para um estado de equidade social, contribuem para baixar o desemprego e movimentam a economia local”. A Tesoureira da Junta de Freguesia de Ínsua, Ana Cristina Lopes, saudou a iniciativa e reforçou que as Instituições se devem unir para atingir um bem comum. Tomou a palavra o Presidente do Município, Francisco Carvalho, para reiterar todo o apoio do Município às IPSS’s do concelho, tendo em vista que “a pessoa idosa tenha um fim de vida digno”.

Iniciou-se o Iº Painel com o tema: “Envelhecer com Qualidade”, tendo como moderadora, Maria Antónia Costa, técnica da segurança social, a qual deu a palavra à Terapeuta Ocupacional, Neusa Festas, da segurança social que abordou um estudo por si realizado sobre cuidadores de pessoas dependentes, referindo o papel do cuidador e os seus impactos negativos e positivos para a pessoa dependente e o seu cuidador.

Seguiu-se a professora da Escola Superior de Saúde de Viseu, Rosa Martins, que se pronunciou sobre o tema “Estamos prontos para envelhecer” no qual deu enfase à transição de vida relativamente às perdas e ganhos. A médica de medicina interna do hospital de Viseu Joana Capelo, abordou o tema, “ o cérebro melhora ou piora com a idade”, referindo a importância de nos mantermos ativos intelectualmente. “Cuidar em fim de vida”, foi o tema apresentado pela médica do IPO de Coimbra, Florbela Gonçalves, que reiterou a importância dos cuidados paliativos como forma de ajudar todos os doentes que não respondem aos tratamentos.

O orador Marco Pereira, professor do Agrupamento de Escolas de Penalva do Castelo, salientou a importância da “atividade física nos idosos” alertando para o fato de que “o trabalho é romper a barreira do idoso que não quer trabalhar, motivando-o com exercícios atraentes, diversificados, individualizados e promotores da integração social”.

Cristina Afonso e Paula Roque, mestres de Reiki, falaram sobre as novas abordagens nos cuidados, realçando a importância desta terapia na construção do bem-estar físico social e mental do idoso.

Encerrou-se o primeiro painel com as técnicas Carla Damil e Elisabeth Lopes, enfermeiras da Santa Casa da Misericórdia, que deram a conhecer o novo projeto “Cuidar de quem cuida”. Este projeto visa a promoção de diversas ações de formação e a cedência de ajudas técnicas às famílias da comunidade Penalvense, ajudando assim ao bem-estar físico e emocional do cuidador.

Depois de restabelecidos com o almoço, iniciou-se o IIº painel intitulado de “metas e desafios nas instituições”, moderado pelo mesário da Santa Casa, Rodrigo Costa. O Presidente da Cáritas Portugal, Eugénio Fonseca, iniciou as intervenções, focando as dificuldades de sustentabilidade do setor social nas suas vertentes económicas e sociais, referindo, ainda, como as IPSS’s podem contribuir para estimular este setor como meio privilegiado do exercício de cidadania. A socióloga do município de Penalva do Castelo, Joana Pina, falou sobre o projeto da rede social que iniciou há 10 anos e das diversas atividades do município com as IPSS’s. O coordenador da ADD (Associação Desenvolvimento do Dão), Emanuel Ribeiro desenvolveu o tema “O papel das Estruturas Locais e Regionais”, referindo os vários projetos atuais e a forma como os mesmos podem ser canalizados para a ADD. O Presidente do Município da Figueira da Foz, João Ataíde, falou sobre os vários projetos do município em relação ao seu concelho.

Em seguida a Diretora da Unidade das Respostas Sociais da Segurança Social, Rosa Valério, moderou o painel constituído pelo Bispo da Guarda, D. Manuel Felício e pelo Padre José António Almeida, Capelão da Misericórdia. O Primeiro colocou a questão de como resolver o problema da exclusão social. O segundo abordou as várias problemáticas existentes nas Instituições sociais.

As Jornadas encerraram com um jantar conferência, tendo como tema aglutinador “Saúde e Bem-Estar nas Instituições Sociais: Metas e Desafios”. A Santa Casa brindou-nos com um jantar muito saboroso, ao som dos talentosos jovens Penalvenses, Nádia e João Marcelo. O painel de convidados foi de excelência, sendo constituído pelos seguintes oradores: Fernando Nobre-Presidente da AMI, Manuel de Lemos-Presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Temo Antunes-Diretor da Segurança Social de Viseu, Rita Ferro Rodrigues-Jornalista e como moderador o Padre José António Almeida-Pároco das paróquias de Ínsua, Esmolfe e Trancoselos.

Na qualidade de anfitrião o Provedor da Misericórdia, Michael Batista, começou por agradecer a presença de todos e daqueles que colaboraram com a Santa Casa na organização do evento, estendendo o agradecimento às Entidades oficiais (Junta e Município), à Paul Hartmann, à Caixa Geral de Depósitos, à Visabeira-Turismo (Hotel de Charme Casa da Ínsua), à Cenatolim e Ser e Parecer – Publicidade, patrocinadores do evento, não esquecendo os colaboradores da Santa Casa. Na sua intervenção, o Sr. Provedor referiu o trabalho que a Santa Casa tem vindo a desenvolver nas suas várias valências e instou os presentes a trabalharem em rede e otimizarem os seus recursos na planificação do que se pretende fazer, tendo uma visão conjunta do concelho e de todas as IPSS’s aí localizadas. Incentivou também a Segurança Social a trabalhar com e em prol do setor social, planificando com as diversas Instituições um plano de ação, “para melhor atenderem as solicitações dos utentes”. Frisou que “para percorrer caminho basta um simples passo e esse passo já foi dado pela Santa Casa da Misericórdia de Penalva do Castelo”.

Depois, o Presidente do Município, Sr. Francisco Carvalho referiu a disponibilidade para trabalhar com a Santa Casa, salientando o fato de ele mesmo ter pertencido à anterior Mesa Administrativa, estando por isso mais recetivo e aberto às propostas vindas da Santa Casa. O Sr. Presidente da Junta, Sr. José António Lopes, realçou a organização das Jornadas, dizendo “estes eventos engrandecem e catapultam o concelho de Penalva do Castelo”.

Por sua vez, o Presidente do Município de Mortágua e Vice-Presidente do Conselho Nacional da União das Misericórdias, Júlio Norte, salientou a juventude e dinâmica do Provedor da Santa Casa e apelou também á realização de um trabalho em rede e com a devida planificação para se poderem alcançar os objetivos de todos, referindo que “é preciso inovar nas Misericórdias, como se faz nas empresas”.

Depois dos discursos iniciais, ocuparam os seus lugares os conferencistas, tendo o Padre José António, Pároco de três freguesias do Concelho e capelão da Santa Casa, feito as honras da casa realizando uma breve apresentação dos oradores, referindo a ausência forçada por motivos profissionais da oradora Rita Ferro Rodrigues, a qual enviou um mensagem por vídeo, lamentando o fato de não poder estar presente e apresentando o seu projeto de intervenção social “Trocas de Amor”, consistindo na troca de bens que as pessoas já não utilizam.

Começou por falar o Presidente da AMI, Fernando o Nobre, instado pelo padre José António, que questionou “como é que um médico se envolve na medicina humanitária e de que meios dispõe para dar respostas?”, referiu que as Instituições devem ser exemplo de trabalho e procurarem novas formas de investimento, salientando que o orçamento da AMI conta apenas 18% de ajuda do estado. “Não devemos continuar a olhar para as nossas “quintinhas”, mas sim ver em que medida, as “quintas” dos vizinhos nos podem auxiliar, pois temos que aprender a produzir cada vez mais em cada uma das nossas profissões”. Referiu também que “não nos podemos demitir da nossa função de cidadania, porque assim não há Estado Social que aguente”. Sublinhou que as Misericórdias são como a Coca-Cola “primeiro estranha-se e depois entranha-se”. O Diretor da Segurança Social de Viseu, Telmo Antunes, começou por dizer que as IPSS’s apenas são uma das áreas de intervenção da Segurança Social, embora referindo que se estas Instituições não existissem, a crise económica teria repercussões incalculáveis. Salientou também que “deve existir articulação e cooperação entre todos para responder às necessidades dos cidadãos”. Interveio o Presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos para salientar que “são estes encontros que dão sentido á nossa missão”. “Devemos trabalhar em parceria e planear em conjunto e em permanente diálogo com a Segurança Social, não devemos criar Instituições sem avaliar as suas necessidades”. Referiu também que “ou trabalhamos todos juntos ou não há esperança e como João Paulo II referiu“ temos que ir para além do limiar da Esperança””. Terminou o Padre José António realçando os aspetos principais e salientando que devemos conjugar esforços para dar o testemunho ao resto do país – “Envelhecer com qualidade um desafio muito grande”

Na parte final foi dada a palavra às várias pessoas presentes no jantar para interpelarem ou darem uma achega sobre os temas desenvolvidos ao longo do dia.

Como nota de registo salientamos a que os objetivos da Santa Casa foram alcançados. As II Jornadas da Misericórdia de Penalva do Castelo foram um sucesso.